Uma quase Vida de universitário...


Não, eu não falarei da ansiedade de entrar numa universidade pública, na verdade falarei de como nossas (dos universitários) vidas são sucateadas, quem liga para nossa aprendizagem e saúde? Minha quase vida universitária começou a 3 anos e meio e é a exatamente 3 anos e meio que eu não durmo mais de 5 horas por noite quando pelo previsto para  o planejado pra minha vida isso só aconteceria depois do meu primeiro bebê... doce ilusão... 

Numa das universidades federais desse mundão passo 12 horas sentadas numa cadeira e depois de 1 hora de ônibus lotado chego em casa e tenho uma média entre 20 e 50 páginas diárias pra ler (sendo boazinha, saibam que tem dia que tem muito mais...).

Assinei a matricula, mas não sabia que tinha vendido minha alma, a idéia principal gira em torno de eles quiseram, eles que abdiquem de suas vidas, um sujeito é apenas sua vida acadêmica, nada de multiplicidade, sujeito plural? pra que preocupar-se com a saúde mental de um futuro profissional de psicologia?

A três anos e meio, eu e mais 44 pessoas, nos metemos no meio de uma briga de egos de PHdeuses e aprendemos várias verdades absolutas, pesquisadores que são obrigados a dar aula entram na sala e dane-se a didática... leio textos de meio século atrás, vejo minhas crenças serem postas no lugar de nada e sou obrigada a escrever sobre o que eu não acredito, pra poder ser avaliada e saber se eu sei reproduzir bem... Passo horas e horas lendo textos inúteis e mal escritos (mas são dos grandes, então eu preciso ler, quem sou eu pra os criticar?)e ainda tenho que provar que um "aprendizado" de um semestre pode ser medido por uma folha de respostas, escritas as pressas em duas horas...

Claro que há exceções, mas elas bem servem pra confirmar a regra, quantas vezes eu ouvi falar de uma educação que faz sentido, de uma educação sem punições e com amor, uma ou duas vezes, todas as outras eu estava ouvindo o quanto eu preciso saber escrever sob pressão, por que é assim que funciona e mudanças não são possíveis...

Querem um conselho, não falhem, nunca... ( somos imperfeitos, mas quem liga?), eu falhei duas vezes, culpa minha? talvez tenha sido e mesmo que não fosse, as consequências ainda são minhas, tem escrito num papel que eu reprovei duas cadeiras, ou seja eu não pude resumir seis meses numa página sob pressão... ( ou quem corrigiu achou isso)... desde então eu não posso ter certeza que vou pagar as cadeiras que eu quero,pois não sou prioridade, em caso de divisões de turma também não posso escolher meu professor, por que eu não fiz o que tinha que fazer, sabe por que isso? por que só as pessoas irresponsáveis que não estudam e não ligam para o que estão fazendo reprovam, como podemos incentivar que profissionais assim cresçam? ( mesmo que como eu, sem falsa modéstia, seu ranking se mantenha 8.7, sua reprovação vai passar a te definir...)

É engraçado quando cheios de café, sentamos e discutimos os problemas da privação de sono, quando categorizados por uma nota, falamos que não podemos patologizar ninguém... Sabe do que eu tenho pena? dos profissionais que nós não poderemos ser, por termos perdidos tempo demais numa quase vida de universitário...

Não estou querendo acabar com as universidades, nem estou dizendo que não faria psicologia de novo, estou apenas repensando a violência que eu sofro todos os dias e que ousam chamar de educação, sim houveram momentos bons, houveram grandes mestre, mas na faculdade eu na maioria dos meus dia aprendo o que não fazer quando crescer.

Fonte da imagem: NERDatividade

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